sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Palavras de um Peregrino/FELIZ ANO NOVO!

ilustração/Lilianreinhardt

FELIZ ANO NOVO DE 2012! FELIZ AÑO NUEVO 2012! HAPPY NEW YEAR!Misteriosa é a flor e bússola que guardamos no coração!Misterioso es la flor de la brújula y en nuestros corazones/mysterious is the compass flower and in our hearts!

PALAVRAS DE UM PEREGRINO

Tu que emprestas Tua luz
aos olhos da Esfinge
Ilumina minha escuridão
para que eu possa caminhar para dentro de mim
e sempre reconhecer -Te
em todos os seres
eu habitante de Tua argila acesa
Teu guardião
FELIZ E PROFUNDA PAZ DE ANO NOVO DE 2012 PARA TI!




PALABRAS DE UN PEREGRINO

Tu que presta Tu luz a los ojos de la Esfinge,
Ilumina mi oscuridad
cuando camino a dentro de mí
para que pueda reconocerte
en todos los seres vivos.
Soy habitante de esta tu arcilla iluminada.
Tu guardián

FELIZ AÑO NUEVO ,2012



WORDS OF A PILGRIM
You who gives Your light to the eyes of the Sphinx
enlighten my darkness
... so that I can walk to my inner being
and always recognize You
in all beings of the Earth.
I am an inhabitant of Your clay lit.
Your guardian!
Happy New Year!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Caminho de Belém



PROFUNDA E FELIZ PAZ DE NATAL PARA TI!
O UNIVERSO BATE NO CORAÇÃO DE TODOS OS VIVENTES!

sábado, 17 de dezembro de 2011

OBRIGADO PELO AMOR AOS ANIMAIS! THANK YOU FOR LOVE THE ANIMALS!

desenho/Lilianreinhardt



ESTÁ DIFÍCIL A MENSAGEM DE NATAL! NOSSOS IRMÃOS MENORES, OS ANIMAIS ESTÃO SENDO MASSACRADOS NO MUNDO/PELO COMPORTAMENTO CRUEL DOS HUMANOS/REPETINDO CENAS DE BARBÁRIE QUE NOS LEMBRAM A ULTIMA GUERRA MUNDIAL! ÓRGÃOS DE DEFESA DA VIDA! SOCORRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

It has been very difficult to write a Christmas message! The animals, our small brothers, are being massacred around the world by the cruel behaviour of the human beings, repeating barbarie scenes which remind us the Last World War. Entities of Animals Life Protection, Help!!!!


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

UMA MENSAGEM


pintura/Lilianreinhardt
mixed on paper
Que nós seres humanos possamos discernir que somos filhos
da Natureza , de sua magia e de suas leis irrevogáveis e portanto irmãos em todos
os reinos dela. Pela dignidade da Vida/pela Paz no Mundo!Somos filhos da Essência Cósmica que se difrata em LUX!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Da Lã do Cântaro ***/

imagem/estudo 3zaa/Da Lã do Cântaro
Lilianreinhardt

Aquece-me quando o mundo
informe e vazio
se diz longe de ti...
misteriosa lã de argila
guarda os flocos de algodão de tuas mãos
à minhas feridas
quando as flores cansadas
repousam o rosto
nos fragmentos das pétalas sobre o chão
quando a chuva nodosa e escura
pranteia pelas grutas
a solidão dos frutos macerados
quando a cidade não consegue adormecer
quando a epiderme das algas azuis sofre
sob as rasgaduras do ozônio
quando o amor se faz ausente
e as mãos não conseguem tatear o
corpo amado esvanecido
ocultando-se sob as vestes laceradas
da própria fome

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Versos de Areia


estudo/gp2a
pintura/Lilianreinhardt




Que vela esse teclado /pincel/ cinzel/
fio dessa mortal talha do olhar
senão esse movimento de fluxo e refluxo
que respira o oceano da minha lágrima
e hachura em sombra e espuma
entre os dentes e o fôlego
estas palavras de areia?...

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Da Ovelha do Verbo


(reedição)




Na lã da infância se guarda o eterno
disse um alfabeto ancião sob florido cajado
de encovado sorriso descovado e de
cerne de cabelos de perfumada ausencia
Se perder do rebanho é como cair
a árvore da gravidade do poema
sem fazer-se renascenças
O eterno guarda o pastor nas ovelhas
da árvore
e o rebanho cuida das sementes
mesmo no vento da boca

O amor é um verbo de renascenças
soprado debaixo da pedra
levita os sonhos dela
e todo rebanho da janela cega
se Ilumina
Mas, amarga o sabor do rebanho e do pé do verbo
quando ficou sem sol sem quarar o poema
e os olhos se encardiram


A lã da infância teima a ovelha do verbo e esquenta
o gelo das pedras de incenso das nuvens.
rebanhos de sementes
arrebanha perdidos olores...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

ESCRITA


pintura/estudo rosa7a
óleo s/tela
Lilianreinhardt


(Os Roseirais de Zavadwski)

...ele escrevia nas pétalas o que lhe ditavam os espinhos/
e desembarcava nas estações onde os comboios
também chegavam carregados de batatas, arroz,
trazendo as escritas das raízes/ enquanto nasciam
e morriam rosais/ele escrevia sobre o imperecível beijo que alimenta a vida...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

SOPRO




(Líricas de um Evangelho Insano)

Sopro palavras/ palavras me sopram
palavras sopram o vento
cataventos sopram o tempo
Modelar o pó soprado
retirar do nada a pulsação
soprar além da bidimensão / ilusão/
moldar o pó
desatar o nós
do nó
sol imensidão

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Estudo/desenho/7aa/poesia visual


soft pastel
Lilianreinhardt

SIMPLESMENTE GOTA




(Líricas de um Evangelho Insano)





...Ela floresce luz

floresce reflexos de galáxias distantes

calor de corações arfantes

ardor de lábios que se desejam

ela é simplesmente gota

e explode a alma do poema

domingo, 28 de agosto de 2011

AlgoDLuz


estudo/desenho
AlgoDluz
Lilianreinhardt

Sob os lábios do poema
algo D luz
entreabre a corola
Só o ressoar do silencio
vibra o hálito do teu amor...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

AQUELE POEMA


desenho/esboço/menina-ave
Lilianreinhardt


Ah meu poema selado/
Onde aquele que minha alma/
escreveu-me para ti?!...

sábado, 6 de agosto de 2011

ARVORECENDO





Hoje amanheci arvorecendo
folhas de sal nascendo  da dança
recrianço-me entre as dunas
quentes dunas da aldeia da minha alma
onde pasta a luz do sol
sobre o terreiro varrido
onde murmuram os cabelos do vento
na floresta cinzelando os pensamentos meus
silenciando os meus pássaros cansados
Só tua canção me embala na teia
nos nichos dos verbos que me arvorecem

quinta-feira, 28 de julho de 2011

MANCHAS


pintura/Manabu Mabe


Uma mancha obscura e a figura
se desfaz na pincelada
A manhã escureceu
engolem-se
os asteriscos no céu
na linha do horizonte o sfumatto
Afogará a noite o seu rosto
encardido de manchas...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Sua hora sempre com


pintura/Paul Klee

(Memoriais de Sofia/Zocha)

Quando a noite enluarada prateava e transgredia a escuridão acontecia o milagre da rendição. Os canteiros verdes das alfaces
afofados um a um irrompiam sob a senha dos olhos e acontecia agora transformarem-se em rosais prateados. Quem a visse sob o sol quente com lenço e chapéu na cabeça transplantando as mudas uma a uma desconheciam as contas daquele rosário. Esterco de galinha, bosta seca de vaca, folhas secas e espigavam o milharal de folhagens, as avencas e a varanda se vestia e sob o telhado do velho paiol o rendilhado do maracujeiro com suas floradas e seus frutos cheirosos levitava a noite de Araruna com os seus canteiros...Havia o passeio das sombras escuras na alma. O passeio das estrelas mortas e das esperas sufocantes, havia paredes que se erguiam até a cumeira dos céus e Zocha via quando de lá despregavam-se suas lágrimas...

Mas,o abacateiro gigante, no fundo do quintal, qual um farol de vigia sob o verdejante mar das suas hortaliças, aconchegava os pomos verdes, orvalhados, a areia azulada revolvia a aspereza dos pés. Havia em suas mãos um estranho cinzel que ao manipular a substancia das sementes acontecia a transformação da tela. No terreiro o feijão abria as vagens, as tranças de cebolas cheirosas espargiam-se sob o olhar dolente da carroça cansada do cinzelar das mãos daqueles invisíveis arreios. Não havia hora, sua hora sempre era com o cantar do galo, havia uma tábula sempre a escrever e quem diria que ela se habitava insólita, carregando o gume da adaga e que, ele distante sempre chegava tarde e raramente a via naquele despertar....

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Se houvesse alguma palha


imagem/www.olhares.com



Chorava Juanito pedindo pouso e ela o enrustia entre os frágeis galhos de seus braços,sob o manto e o panejamento da ramada de seus cabelos desgrenhados que faziam ninho.
Mas havia frestas por onde a lágrima da neblina passava. A cada badalada do relógio distante, mais congelavam as tintas da noite e o pequeno mais aconchegava-se naquele pouso frágil e imantado. Eram ambos ali...enquanto os passos iam e vinham agasalhados e a névoa diluía os olhares que de soslaio se desviavam daquela mancha escura no lusco-sob sob a luz sonolenta, apenas passos, nenhum cachorro a revirar algum latão de lixo próximo. Quem ousaria chegar sob aquele breu de feno fustigado, hora maltratada, noite despousada para Juanito e ela...adormecidos um no colo do outro da escuridão, única sombra?... Ah se houvesse alguma palha, um coxo naquela escuridão faminta...ninguém os via a não ser a luz do altar sempre acesa, entrelaçados jaziam na pedra aos olhares de pedra que só a pedra os via...

sábado, 16 de julho de 2011

Enquanto Vivos


(Memorial de Sofia/Zocha)


Era hora da pausa,do intervalo. A imensa sala vazia,como um plenário, com mais de cem carteiras dispersava os olhos.Ela via-se caminhando por entre lápides daquele cemitério de vivos,como num jardim labiríntico. Os sapatos afundavam na grama, os olhos perdiam-se pelas tabuletas memoriais com os nomes gravados nos granitos e pisava-se ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,
O estrado alto da imensa sala de aula levantava senhorialmente a mesa do mestre até o teto.
Da cantina o cheiro do café expresso e o gosto do inverno que cozinhava, aos poucos eles ressuscitavam e retornavam ..
Escadas, simplesmente escadas largas e aquele remoinho, cada um tinha um número e um crachá e uma letra, para não se perder, enquanto vivos ....

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A menina e a parábola/Memoriais de Zocha


desenho/escritas s/título
Lilianreinhardt






(Memoriais de Sofia/Zocha)

Houve um tempo, diz a verdade da lenda que o hímen do mundo fragmentou-se e descarilou a linha do comboio. Que numa grande explosão de amor cósmico o orgasmo nuclear fracionou o corpo de Osíris em tantas partes quantas houvessem por viverem e renascerem e que o mundo o cerzisse... Assim, a menina Zocha ouvia os testemunhos no Oráculo da infância e não entendia onde poderia encontrar esses fragmentos e como sutura-los novamente e cozia infinitamente, sempre, uma colcha de retalhos que avó Arminda (postiça) havia lhe ensinado a fazer. Cortar cada pedacinho de pano e dar um nó num saco de rústicas fibras, e assim ir cozendo de nó em nó o tear até compor um tapete voador que sobrevoasse o mundo ultrapassando o tempo. Da janela pequenina do sótão da casa polaca do bairro do Cajuru, bordada de beirais de lambrequins, entre as araucárias, ela cozia as linhas do mirante do horizonte. Mas, a rodovia chegou para construir um viaduto desnivelando a casa e afundando suas vistas e ergueu uma muralha sobre o pergaminho do tapete mesmo sob a primavera parindo as flores. Afundavam as fronteiras, separavam-se jardins e quintais e só restava ao fundo o mirante daquela araucária acesa esparramando tapetes de grimpas e rosacéas de pinhas voadoras à alma da menina da parábola...

www.lilianreinhardt.prosaeverso.net/visualizar.php
Lilian Reinhardt

domingo, 29 de maio de 2011

OLHO




Pequeno olho de luz
incendeia a escuridão
Ilumina a força de dentro...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

CADERNO LITERÁRIO II COM A POETA E ESCRITORA TANIA ORSI VARGAS NO RECANTO DAS LETRAS


imagem/primeira escrita/Cuneiforme
(http://ligadosnahistoria.blogspot.com/)



LITERATURA
NO REAL E NO VIRTUAL




Poesia online
Tania Orsi Vargas


Liguei o computador
busquei a internet
navego com o explorer
como barco doido à deriva
estrelas em bites e megabites
céus estrelados de sites
busquei tua URL e apontei
a flechinha do mouse
na folha em branco escrevi
SAUDADE
e no meu peito borbulhou
o coração

Enquanto isso no meu cérebro
aconteciam mistérios de máquina...
...a que estará conectada?
Ao sol, à lua, ao infinito
a um deus, energia cósmica?

Liguei o computador e agora sou
um dos 16 vírgula alguma coisa percentuais
de gente conectada à NET
Mas minha solidão é de bicho
porquanto meu sangue
não tem sentido
diante da tela fria...
Apontei a flechinha do mouse
"sou parceiro do futuro"
mas minha humanidade
gravita em tons pastéis,
e meus ouvidos ensurdecem
ao exagero dos decibéis...

E no entanto
Cyber poeta, trovador virtual
Meus versos saltam da fria tela
direto pro teu coração
E te aquecem...

Isto sim, é revolução!
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Leia nos links abaixo a interação de poetas no site Recanto das Letras:

Primeira Parte
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/2965553
Segunda Parte
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/2965559

segunda-feira, 9 de maio de 2011

CADERNO LITERÁRIO I DA ESCRITORA E POETA TANIA ORSI VARGAS NO RECANTO DAS LETRAS


imagem/Mateus Zaccaro




BREVE INTRODUÇÃO
Tania Orsi Vargas

Há tempos venho falando e pensando sobre este fenômeno da intertextualidade que espontaneamente e às vezes por convites, ocorre nas escrivaninhas aonde poetas confraternizam escrevendo suas trovas ou poemas sobre temas escolhidos. Acabo de publicar um artigo compilado de um caderno lietrário português sobre tal assunto, e pra minha alegria e surpresa, já houve frutos, que a nossa querida poeta Lázara me comunicou ter- se inspirado ao ler os quatro poemas portugueses ali apresentados como ilustração, e escreveu na hora um poema que já publicou agora no dia 10 do corrente. E coincidentemente eu tinha lido seu poema "Chuva" e me inspirado para escrever o meu. Penso que estas experiências são notáveis e muito significativas, e assim deixo este depoimento iniciando esta série que chamei de Cadernos Literários, uma simples forma de tentar formalizar certos encontros espontâneos e dar ênfase ao que de muito positivo ocorre neste nosso Recanto.
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C H U V A S



Lazara Papandrea

ecoam os trovões
não há céu seco
a chuva molha
o céu
a vida
o beco
as rosas

nem as rosas escapam!
[e elas morrem de medo
do vácuo de céu nas
pétalas partidas...],,,,,

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INSTANTÂNEO


Tania Orsi Vargas



...A chuva interrompe nossas andanças de seres soltos

e joga sobre nós recados de águas novas e velhas

recados do Tempo nos temporais repentinos....

Tomados de surpresa, ela nos faz prisioneiros

um tanto atordoados

molha os nossos pés num susto que logo

se transforma em rendição ao inevitável...
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CHUVA DE OUTONO

Iratiense Joel Gomes Teixeira




...E aí numa prece implorou para o sol demorar.
Não queria o encanto quebrado,
de arabescos no chão desenhados.
Dos pés deslizando na massa ,
buscando arco Iris em cores,
portais de novos amores...

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CHUVA INTERNA

Calliope


Quando chega traz um alívio
Por derramar-se
Por desafogar-me

E neste derrame lava
LevaMas passados os dias...
Vai embolorando
E vem um cheiro esverdeado
Um cheiro de passado...

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DEIXA QUE A CHUVA LAVE O MEU ROSTO

Lilian Reinhardt

Eu preciso de ti
eu preciso me banhar
naquela poça d\'água pura
que espelha o céu da minha argila
e o pássaro de minha alma nela se banha...
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No link abaixo conheça a interação de poetas brasileiros no Recanto das Letras

http://recantodasletras.com.br/poesias/2903161

segunda-feira, 2 de maio de 2011

UMA PARÁBOLA






(líricas de um evangelho insano)
(reedição)

Minhas mãos entre as suas
sob a tênue neblina
incensando o cálice da noite
sua voz insistia
Antes de ouvir os meus passos
ouvirás primeiro a acústica de silêncios
dos meus rastros
das palavras que deixarei
cair pelos caminhos...


http://recantodasletras.com.br/pensamentos/2938408

sexta-feira, 22 de abril de 2011

ESSE HOMEM


imagem/Pintura s/ madeira/séc. VI d.c.
/retrato de Jesus/detalhe/
ao lado do Prior do mosteiro Ména
/da Abadia de Baouit/ no Moyenne Egypte/
Museu do Louvre/Paris

(Líricas de um Evangelho Insano)

Entre os trigais ainda agora Ele passou e deixou rastros por onde as sementes escrevem a vida





Esse Homem
guarda mistérios da minha devoção
Esse Homem carrega-mE!




www.lilianreinhardt.prosaeverso.net/visualizar.php
http://www.recantodasletras.com.br/poetrix/2921590



FELIZ PÁSCOA!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Ressonância




Atrás do tronco do rochedo vive um Verbo
no casulo com uma enorme barba branca
de sementes domesticando ventos

Suas portas nunca estão fechadas nem abertas
Há sempre uma interrogação
na música que ele toca...



www.lilianreinhardt.prosaeverso.net/visualizar.php

quarta-feira, 13 de abril de 2011

DEIXA QUE A CHUVA LAVE O MEU ROSTO







NO CADERNO LITERÁRIO I DE CRIAÇÃO DA POETISA TANIA ORSI VARGAS NO RECANTO DAS LETRAS

DEIXA QUE A CHUVA
LAVE O MEU ROSTO

(Líricas de um Evangelho Insano)

Lilian Reinhardt

Eu preciso de ti
eu preciso me banhar
naquela poça d'água pura
que espelha o céu da minha argila
e o pássaro de minha alma nela se banha

Deixa que a chuva transborde
das conchas do entardecer
que preencha todos os beirais
que anseiam pela cálida luz da manhã
quando as rendas da aurora se abrem
e o cheiro de café envolve em volúpia
o sabor da mesa de alva toalha e os
verbos recém-colhidos
permita ainda
que a chuva te conte histórias
dos lugares por onde passou
dos pés de quem lavou
dos rastros que escondeu
dos pecados que perdoou...


Parabéns poetisa TANIA ORSI VARGAS pela iniciativa da criação da intertextualidade entre autores no RECANTO DAS LETRAS através do CADERNO LITERÁRIO I.
Veja os links abaixo:
recantodasletras.com.br/poesias/2903161
www.recantodasletras.com.br/mensagens/2905204

sexta-feira, 8 de abril de 2011

SELOS


A porta selada não abre fácil
as sombras guardam os rios cansados
transborda o mar os porões da alma
peixes e fósseis se fazem enguias
na calçada da pauta o rico e o pobre
mendigam do mesmo pão o pó
nenhum ticket de passagem
é diferente do outro
mas a ternura da mão estendida
refaz a viagem...

domingo, 27 de março de 2011

RACHA UM POEMA DE LUZ E VIDA


imagem/estudo/ desenho/Retrato de Racha
by Lilian Reinhardt

À pintora e poetisa tunisiana Racha Rzouga e Yasmine, em amada memória
(29/03/2010)
Lilian Reinhardt

Uma luz segue caminhante
por entre as tamareiras de Tunis
além das areias do tempo
refulgindo sobre as sombras
das pétalas dos desertos
vertendo olores de jasmins
desde o horizonte verde esmeralda
de seu Mediterrâneo mar
marchetado de cerúleos e cobaltos azuis

Na prancha da vida
suas tintas se derramam das flores
abrindo seus cálices
seus traços de luz abrem as pálpebras
de um cristalino amanhecer

Todas as manhãs
ela vem tomar café com seu pai
à mesa do mundo
trazendo ao colo e ao ventre
seus anjos Sirine e Yasmine

Mas desde ontem
muito cedo lhe chamou a aurora
à comunhão secreta dos selos
e ao ministério da transmutação
e entrega de sua casa amada

Assim deixou ela sobre a mesa
os versos do canto do pão
que servia aos seus anjos

Eis que a sua fidelidade de árvore
à semente em seu ventre
- da redenção da vida pela vida-
a chamava num poema de Luz!






RACHA UN POEMA DE LUZ Y VIDA

A la pintora y poetisa tunecina Racha Rzouga e Yasmine , en amada memória
(29/03/2010)






Lilian Reinhardt

Una luz caminante sigue
a través de las palmas de Túnez
más allá de las arenas del tiempo
brillando a través de las sombras de pétalos de los desiertos
verten olores los jasmines
desde el horizonte verde esmeralda de su Mediterráneo mar
salpicado de cobalto y zafiro azules

En la junta de la vida
sus pinturas salieron de las flores
a la apertura de sus copas de sus rayos de luz
y de los párpados de un cristalino amanecer

Cada mañana
ella viene para el desayuno con su padre
a la mesa del mundo
Trae en el cuello y en el vientre
sus ángeles Sirine y Yasmine

Pero desde ayer
el alba la llamó muy temprano
a la comunión secreta de los sellos
al ministerio de la transmutación
y a la entrega de su amado hogar

Así, ella ha dejado sobre la mesa
versos del canto del pan
que ha servido a su ángeles.

He aquí su fidelidad de árbol
a la semilla en su vientre
- la redención de la vida por la vida-
la llamaba en un poema de Luz!

(Traducción: Lúcia Constantino)

domingo, 13 de março de 2011

CHEIRO



Dá-me a tua palavra de cheiro e saberei reconhecer o sabor da florada de tua alma!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

HAICAI 19R


pintura/Horácio Garcia Rossi

Pó incandescente
queima a forja na escrita
hachuras na pele

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

HAICAI 39R



HAICAI 39R

No teu sabre a ponta
da sapatilha na roca
fia o pó da adaga

sábado, 12 de fevereiro de 2011

ONDE?


Onde a verdade
de raízes que se ramificam/
que se alimentam da seiva?!
Por que as sombras da boca
não distinguem o sal?!!!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LIMÕES DE VAN GOGH/POETRIX


pintura/Vincent Van Gogh

Os limões de Van Gogh
e uma cálida ternura
de um azul de amor

sábado, 5 de fevereiro de 2011

HAICAI 44A


foto/Guilherme Antunes




Na lírica pauta
desfolham-se tuas plumagens
refloresce o azul

sábado, 29 de janeiro de 2011

HAICAIS 43,44 e Poetrix / BAILARINA


Haicai 43

Ao passo do cisne
da insólita flor de lótus
gargalhou o lago


haicai 44
Repicou no vazio
sua dança na ribalta
o pássaro chorou


POETRIX/BAILARINA


Bailarina descalça
baila na boca da taça
o cálice refloresce

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

HAICAI 28A




Pinha florescida
florescem ao chão os pinhões
e no azul as gralhas


imagem/coisadosul.blogspot.com

sábado, 15 de janeiro de 2011

HAICAIS 77/78/79/80/81 e 82







Haicai 77

Com Sísifo e Borges
carregando suas folhagens
pedras carregam-se

Haicai 78
A folha pesada
ladeira acima subindo
a pedra se rola

Haicai 79
A formiga e Sísifo
folhas sendo hasteadas
levitam as pedras

Haicai 80
Ladeira no tempo
seus escritos nas folhagens
pesada a bagagem




Haicai 81

Sísifo e a formiga
cinzelando essa folhagem
cinzelam o verbo


Haicai 82
Com Sísifo e Borges
na trilha dessas formigas
escritos nas folhas

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

HAICAIS 56/57/ e 58



Haicai 56
Formiga de Borges
carregando uma folha
a folha a carrega

Haicai 57
Ladeira abaixo
ladeira acima irrompe
a formiga a neblina

Haicai58
Na vela da folhagem
o veleiro em viagem
da formiga peregrina

domingo, 9 de janeiro de 2011

Yoga Poético/Haicais Tunisianos de Youssef Rzouga em interface com Lilian Reinhardt


YOGA POÉTICO/HAIKAIS TUNISIANOS

De Youssef Rzouga
em interface com Lílian Reinhardt




YOGALA OU O LIVRO DE YOGA POÉTICO

Yogala é uma outra asa de um vôo poético yoga conforme emerge do espírito do terceiro milênio, é uma forma concisa, concentrada e livre de expressão poética como a própria atualidade exige.
Cada YOGAMA é como um exercício de absorção poética cujo tema abrangente pode ser objeto dos mais variados fenômenos psíquicos, sentimentais, como stress, angústia, frustração, alienação, fobia, etc.

OUTRO VOO, OUTRA ASA YOGA, UM CÉU AZUL!

YOGAMA 1 /YOUREZ
Só de voar só
ficas deprimida
eu que em ti estou
exijo-te
uma provável Yogala
isto é
uma experimentação
só outro vôo
outra asa Yoga
e um céu azul

Yogama 1/Lilian
Inspirar o azul
com tuas asas aladas
floresce o horizonte





YOGAMA 2/YOUREZ

Só de olhar pela janela
ficas deprimida
eu que em ti estou
vejo o universo todo
para não ver nada
para não ver ninguém


Yogama 2/Lilian

Não aprisionar
é sempre reflorescer
além da palheta

e inalar dos matizes
além das obviedades

















YOGAMA 3/YOUREZ

Apenas
de pensar no futuro
ficas deprimida
eu que em ti sou
bebo o suco da laranja
para esquecer o sabor do Saara

Yogama 3/lilian


O sumo da fonte
sacia o sabor salgado
da areia amarga

O remoinho do medo
dos passos do compasso














YOGAMA 4/YOUREZ



Só por viveres
em lugar desagradável
ficas deprimida
Eu que em ti estou
sonho em viajar
pelo mundo inteiro

Yogama 4/Lilian
É preciso acender
além das sombras da cidade
o sol da aldeia





YOGAMA 5/YOUREZ

de ouvir ruídos
ficas deprimida
eu que em sou em ti
estou dentro de ti
não ouço nada


Yogama 5/Lilian
Na tua flor acústica
os campos de silêncios
infligem-me agonias


quando não me apercebo
de que me refloresces




YOGAMA 6/YOUREZ

Para alimentar a alma
basta um pequeno naco
de silencio

Yogama 6/Lilian


Colher da aurora
apenas uma poção
acalanta o verbo



YOGAMA 7/YOUREZ

Faça-me mimos
enquanto acabo
de apagar a montanha


Yogama 7/Lilian
Fazer-se em pétalas
esparge o aroma da floresta
sobre a pedra cansada








YOGAMA 8/YOUREZ
Este show
me deixa nervoso
oculto-me
no fundo de teus olhos


Yogama 8/Lilian
No fundo do lago
no silencio das folhagens
desnuda-se a minha inquietude




YOGAMA 9/YOUREZ

Enquanto uma criança sorri
este público histérico
polui os pulmões do rio

Yogama 9/Lilian
O Colibri beija
e a avalanche arranca as árvores
da floresta cega





YOGAMA 10/YOUREZ

Um amor
um milagre
e o universo todo
floresce




Yogama 10/Lilian
Um eco no vazio
e do incontido verbo
há canção no cântaro




YOGAMA 11/YOUREZ

Meu pai
me esbofeteou
minha sorriu-me
fiquei fora do ar
completamente embriagado
de seu beijo saboroso e quente


Yogama 11/Lilian
O vento bateu-me
com as crinas do tufão
e amamentou-me a uva





YOGAMA 12/YOUREZ

Esta criança
já derrubou dois dentinhos
agora
pode morder ternamente
os seios de sua mãe
os dedos de seu pai
e até rolar a esfera do mundo
banhada em chocolate



Yogama 12/Lilian

Hastes sob o sol
os olhos deste menino
giram o caracol



YOGAMA 13/YOUREZ




Distrai-me ouvir
o silencio


Yogama 13/Lilian
Silencioso
esse bosque alegra o chilreio
desta água insólita

Dá-me deste silencio
inala minhas vestes








YOGAMA 14/YOUREZ

O silencio
cujo teto é azul celeste
é a cidade sagrada
do coração


Yogama 14
A pedra é salgada
onde esses céus são verdes
e gorjeia este rio



YOGAMA 15/YOUREZ

Fala mais baixo
não te ouço



yogama 15/Lilian
Alcança meu céu
como o tom destas tuas nuvens
alcançam meus riachos







YOGAMA 16/YOUREZ

Estás certa
de que sou eu?
Tens o código
para entrar em minha casa?




Yogama 16/Lilian

Murmúrios da fonte
não confundem o peregrino
no chilrear das águas







YOGAMA 17/YOUREZ

Não entendo nada
tudo é muito claro

Yogama 17/Lilian
Ofusca esta prancha
a nudez desse teu branco
neste claro-escuro





YOGAMA 18/YOUREZ

Longe
é exatamente o amor
que estou procurando




Yogama 18/Lilian

Voar a imensidão
traz a montanha à mesa
com sua colméia






YOGAMA 19/YOUREZ

Não posso deixar
este olhar cheio de luz


Yogama 19/Lilian

Carrego o archote
e esses sais do deserto
escrevem na escuridão




YOGAMA 20/YOUREZ

Os polvos soltam um jato
de tinta
para defender-se
Eu preciso
de uma infusão de tílias
para relaxar-me



Yogama 20/Lilian


Nas cordas do corpo
tocar as raízes das águas
exala o mistério


quando se abrem os tentáculos
aos olores da alma






YOGAMA 21/YOUREZ

Eu uso muito os teus olhos
obrigado

Yogama 21/Lilian

Revoar com tuas pálpebras
esses olhos - cordilheiras
acendem meus lagos





YOGAMA 22/YOUREZ
Este coração azul
se abre em mares

Yogama 22/Lilian

Esta tua aurora
pulsa a fonte das nascentes
expande-me os oceanos


YOGAMA 23/YOUREZ
Acalma-te
esta asa terna e imensa
nos protege do vento


Yogama 23/Lilian
Guardar-se no útero
da abóboda celeste
relaxa o remoinho









YOGAMA 24/YOUREZ
Shiii!
vai
despertar
a cama
a almofada
o colchão


Yogama 24/Lilian

Acordar nascentes
arrulha as asas da casa
o sonho e o travesseiro





YOGAMA 25/YOUREZ

Um se reflete
no espelho do outro
e ainda assim a alma fica livre
para te refletir

Yogama 25/Lilian


A beira do lago
os nossos olhos refletidos
emergem teu Lótus











YOGAMA 26/YOUREZ

Depois de percorrer
a metade do caminho
preciso muito de descanso
Não te apóies assim
contra meu coração
Cuidado frágil!





Yogama 26/Lilian

À porta o cajado
e o silencio das vestimentas
guardam o teu cristal





YOGALA: COMO ADOTAR A POSTURA DA LUZ

YOGAMA 27/YOUREZ

Este coração
sempre pleno de luz
se abre aos seis continentes
por favor entra
a luz é insuportável
sem ti

Yogama 27/Lilian
A rosa é florescida
semeadas foram as estrelas
A ti este meu cálice









YOGAMA 28/YOUREZ

O limão
tem um ácido sabor
um aroma muito especial
tem a nossa amizade


Yogama 28/Lilian


Amargo é verde
que se faz maduro pomo
na colheita fiel



YOGAMA 29/YOUREZ

Que linda estás!
Vais à festa?
Ficarei sozinho
contigo


Yogama 29/Lilian

A beleza é luz
Clarões na noite imensa
na concha de ti




YOGAMA 30/YOUREZ

Este ruído
vem da casa ao lado
qual o caminho da tua?





Yogama 30/Lilian
Tambores vizinhos
fazem trincheiras no vazio
acende tua candeia






YOGAMA 31/YOUREZ

Este olhar
que parece-me tão triste
emite tanto brilho



Yogama 31/Lilian
A candeia acesa
na trilha da neblina
goteja estrelas



























YOGALA: COMO REGAR COM LÁGRIMAS

YOGAMA 32/YOUREZ

Chove
preciso de teu olhar
para secar-me


Yogama 32/Lilian
Do céus as tuas lágrimas
florescem os vinhedos
aspiram-te o azul



YOGAMA 33/YOUREZ

Se tens frio
cobre-te
com meu olhar



Yogama 33/Lilian

Na escuridão
flamejante é a candeia
aconchegando o altar













YOGAMA 34/YOUREZ


Esta tua imensa lágrima
descoloriu a minha parede




Yogama 34/Lilian

Este teu oceano
fez-se arco na minha íris
tingiu-me a escuridão







YOGAMA 35/YOUREZ

Nem sequer chorou
está distante
em outro lugar
fora de si
para voltar
às raízes
irrompeu em pranto


Yogama 35/Lilian
Inalar silêncios
espagir cinzas no éter
reacende as chuvas











YOGAMA 36/YOUREZ

Inclinei-me demais
o pássaro pousou no galho
e se pôs a bicar o coração
sem piedade

Yogama 36/Lilian
Descer muito os véus
sob a ampulheta do peso
expira a leveza



YOGAMA 37/YOUREZ

Ela não está
cuido de seu perfume ausente




Yogama 37/Lilian
Guardo-te na essencia
No mistério deste verso
Inalo o teu cântaro


YOGAMA 38/YOUREZ
As pérolas
se gestam no interior
das ostras
no fundo do coração
o teu nome se faz
árvore


Yogama 38/Lilian


Inalar ao fundo
da concha viva as pedras
Revigora raízes















YOGAMA 39/YOUREZ

No momento
estou ausente
mas ainda assim
não me atrevo
a ignorar tua presença torrencial
Viste o relâmpago?
é minha alma fugaz!


Yogama 39/Lilian
Cortina fechada
expira a luz da ribalta
Pirilampo inala




YOGAMA 40/YOUREZ

No momento não consigo
ver o sol
te espero lá
no fundo da canção
temos o tempo todo
para dançar juntos
à beira da estação
a canção de fundo


Yogama 40/Lilian
À beira do lago
sob o canto das folhagens
Espreita este cisne












YOGAMA 41/YOUREZ

Da estatua da liberdade
o pássaro
oferece
sua contra senha
e sua asa imensa


Yogama 41/Lilian
No cume da montanha
abrem-se as asas da pedra
levita o teu peso


YOGAMA 42/YOUREZ

O verniz do coração
está gasto
o rio recicla tudo
as chaves
os sentimentos
as trilhas da felicidade
que levam ao futuro
mas qual é o caminho mais curto?

Yogama 42/Lilian
Aspirar as raízes
seguir a trilha da vertente
refloresce as águas







YOGAMA 43/YOUREZ

Esta gazela que gira ao redor do sol
que prende o cabelo
com uma fita de borracha
e todos os dias
faz o mesmo percurso
entre casa e escritório
quer ser pássaro
para diminuir as distancias do universo
em dó ré mi fá sol

Yogama 43/Lilian
Dança essa menina
aos olhos deste girassol
os degraus da escada


YOGAMA 44/YOUREZ

Estou louco por ti
estou ébrio de ti
sou como um cego
Leva-me à minha floresta

Yogama 44/Lilian
Este cio de luzes
Embriaga minhas arestas
destila-me a raiz



YOGAMA 45/YOUREZ

Desliga a luz
tua alma ilumina todo o cenário

Apaga as cortinas
a aurora incendiou a noite
o vazio acendeu-se




YOGAMA 46/YOUREZ

Ainda
cometo demasiadas falhas
ao conjugar o verbo
mas estou bem comigo mesmo
e atrevo-me à conjugação
do querer presente



Yogama 46/Lilian
Esse ser expatriado
é atrevida e conjurada
escrita da pele








YOGAMA 47/YOUREZ

Tens
que concentrar-te
nas flores selvagens
Eu gosto muito do mel
de abelhas livres
de qualquer ouro de anel


Yogama 47
Flores de arremedo
brilham sob a superfície
eu guardo meu pólen


YOGAMA 48

Teu rosto sorridente
é a oitava maravilha do mundo

Yogama 48/Lilian
Esta estrela
Renasceu em minha galáxia
Com seu teclado

YOGAMA 49/YOUREZ

A lua reflete-se no mar
o mar reflete-se em seu coração

Yogama 49/Lilian
Sincronia no espelho
Reflete o universo as ondas
pulsação nas águas


YOGAMA 50/YOUREZ

Preciso de teus passos
para caminhar em teu ritmo


Yogama 50/Lilian
Sopram as tuas nuvens
eu preciso dos teus versos
neste caminho inverso










YOGAMA 51/YOUREZ

Esta flor
desprende um perfume muito
agradável
entre Deus e o diabo
um dedal
o sol
gira em torno o ícone
mais elevado

Yogama 51/Lilian
Inclinar o abismo
para degustar do perfume
cinzela a espádua






YOGAMA 52/YOUREZ

Uma cama dobrável
ao lado direito
a asa está ociosa

Yogama 52/Lilian
Estende teus ramos
preciso deste teu ninho
em mim passarinho





















YOGAMA 53/YOUREZ

Eu te amo sol
com teus raios de luz saltando

Yogama 53/Lilian
Transborda o jarro
te quero fruto de mim
verso teu na carne




YOGAMA 54/YOUREZ

Desencadeia a
tempestade
te quero de novo
para desviar um rio


Yogama 54/Lilian
Atrela-me em ti
na tormenta da travessia
conjuga –me até o céu




YOGAMA 55/YOUREZ

Sob as pernas em compasso
a doce mulher e o óvni
voam baixo
alguma coisa se move
e floresce
É o regresso ao útero



Yogama 55/Lilian

Plantar sementes
acender candeias na carne
florescem as conchas













YOGALA AS RUAS SE ILUMINARAM

YOGAMA 56/YOUREZ

Este poema
escapou-me
e se pôs a correr
um bandido
tentou afogá-lo
mas em vão
de repente
as ruas se iluminaram
e em algum lugar
irrompeu um incêndio grande
e dia após dia
lentamente
o fogo se extinguiu
por si só



Yogama 56
Vazou a fumaça
Pelo olho da fechadura
Apagou-se a retina






YOGAMA 57/YOUREZ

Um pássaro morto
o assassino
empreendeu fuga
só uma árvore
logrou captar
desde o princípio
sua intenção criminosa
mas não pode detê-lo



YOGAMA 57/Lilian
Pedra na vidraça
estilhaça o sonho
mas não a chuva



YOGAMA 58/YOUREZ

Quando um pássaro
se põe a cantar
a árvore tem calafrios
e floresce

Yogama 58
Quanto te ouço
Sangram os meus lírios
Teus ecos no cântaro









YOGAMA 59/YOUREZ

Olá
farei
como você gosta
este mundo
é meu
se o queres
lhe dou
para toda a vida
Já leu o periódico de hoje?
dia de muitos
véspera de nada
mas sem nós
esta vida
não vale nada


YOGAMA 59/Lilian
Toma esta lua
a noite escreveu nela
preciso do lago







YOGAMA 60/YOUREZ

Um dilúvio
esta quase a romper a vedação
isto se vê ao longe
Desde Tunez
vejo-te
navegando pela Rede
a água sobe até em cima
coragem!
E não fique de joelhos

Yogama 60/Lilian

Afogada até raiz
irrompe esta árvore
levitam os seixos






YOGAMA 61/Lilian

A alegria da vida
obtém-se
misturando o branco e o vermelho
O negro não te fica bem

Yogama 61
Aspirar teus olhos
da paisagem esfumada
Entinta a manhã








YOGAMA 62/YOUREZ

Entre uma realidade e uma canção
uma nuvem
tapa o sol
e eu não consigo vê-lo
Mas a imaginação traz o sol


Yogama 62/Lilian
Na coxia dos véus
dançam as ilusões sopradas
sobre a realidade










YOGAMA 63/YOUREZ

Clique no botão direito
este peixe colorido
parece triste
em seu aquário de cristal


Yogama 63/Lilian
Acenda esta luz
a torre está escura
danço no teu éter




YOGAMA 64

Sonhar com algo
sentar-se sobre uma folha branca
com as pernas cruzadas
este exercício
é realmente difícil


Yogama 64/Lilian
Experimentar
somente experimentar
inalando o verso



YOGAMA 65/YOUREZ

Dá a mão
falta-te um sexto dedo

Yogama 65
Me segura firme
amorosa é esta alma
Isto é canção





YOGAMA 66/Lilian


Dá a mão
e depois
o coração
vamos ver se a luz acende



Yogama 66

Não tenhas medo
do código deste adágio
a via é coração


YOGAMA 67/YOUREZ

O corvo já não
vem mais me ver
desde que eu te soube


Yogama 67/Lilian
Um manto de luz
e floresce a noite vazia
desde que me saibas




YOGAMA 68/YOUREZ

Sim tenho a mesma idade
uma vez que tenhas esquecido
de parar o rio


Yogama 68/Lilian
Não esqueço a canção
acompanho-te ao deserto
perdi as ampulhetas









YOGAMA 69/YOUREZ

Para onde leva este rio?
ao teu oceano azul


Yogama 69

Onde tocam as cordas?
Nos mares de teu corpo
O eco do meu rio




YOGAMA 70/YOUREZ

Ajuda-me
a ser uma ave especial
em teu peito




YOGAMA 70/Lilian
Ama-me sempre
No meu peito a tua canção
Ave de tua voz





YOGAMA 71/YOUREZ

.............................................
...............................................
............................................


TE AMO!






Tradução do espanhol os haicais tunisianos de Youssef Rzouga por
Lilian Reinhardt

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Uma formiga de Borges



(Líricas de um Evangelho Insano)


Uma formiga de Borges
carrega a folha
Ou a folha a carrega
Que importa
se a ladeira convida a que se levite
se a tartaruga- pedra pesa o caminho
se a ave-folha seja passarinho
se o passarinho seja aquela folha- vela/veleiro
canoa/canoeiro no ninho da barcaça
Uma formiga para Borges é única
(como tu és para mim)
única em sua cósmica e curiosa rota...

Ele era da substancia dos pássaros


Imagem/MiltonDacosta


(Líricas de um evangelho insano)


Ele era sagrado
ele fazia chover
ele fazia o sol arder
ele era da substancia dos pássaros
até que foi lentamente se dissolvendo
depois de quebrar o espelho das águas
e apagou-se nos cabelos do pó
Mas um dia ele soprou forte como um verbo!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Objeto não Identificado



pintura/Lilian Reinhardt
s/título
ano/95



(Líricas de um Evangelho Insano)


Para lembrar...
que um poema pode
estar batendo à sua porta agora e que esta noite
poderá estar em algum outro lugar
e que talvez também agora esteja
caminhando perdido atravessando a linha férrea ou
numa praça ou num beco deserto
ou que de um deserto de cristal ou de papel
esteja te olhando sutilmente
através do fragmento de uma estrela
ou de um olho mecânico de um telescópio da Nasa
mas com certeza te observa da poeira cósmica que não vês
ou esteja sendo carregado sob a sola dos teus sapatos
ou esteja sendo esmagado como uma formiga de acasos
(embora Borges diga que toda formiga é um única no plano curioso de Deus)
Tudo é possível
atrás da vidraça


atrás das lentes de contato
debaixo da lágrima da chuva
na pintura do breu da noite
no bueiro onde os meninos brincam
de craques da morte,
sob os degraus da escada de Jericó
as marcas indeléveis de quem pode
ainda agora cruzar o mar Vermelho
eDesativar o último míssil
aterrisar num campo de fome da África
com carregamentos de alimentos
escorregar no tapete da casa rosada
negra ou branca como a mosca de Córtazar
e borrar as iscas de guerra e selar a da boa vontade
Para lembrar que ainda há pouco foi libertado por prova de inocencia de DNA
quem dormiu inocente trinta anos na penitenciária
Mas,não pense em ultrapassar hoje o cordão de isolamento
- Aplausos ao presidente
- Carlitos continua chutando a bola do mundo
aos cegos que só conhecem a luz de fora!
Eu só queria escrever nas asas das borboletas
e responder aos teus recados...
fora dessa cidade nuclear
no coração deste Ser teu objeto não identificado!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

PREMIO INTERNACIONAL DE POESIA SIMON BOLÍVAR/O LIBERTADOR


Honrada pela premiação poética nesta Antologia do mundo.
Muito obrigada!
Lilian Reinhardt