terça-feira, 22 de novembro de 2011

Da Lã do Cântaro ***/

imagem/estudo 3zaa/Da Lã do Cântaro
Lilianreinhardt

Aquece-me quando o mundo
informe e vazio
se diz longe de ti...
misteriosa lã de argila
guarda os flocos de algodão de tuas mãos
à minhas feridas
quando as flores cansadas
repousam o rosto
nos fragmentos das pétalas sobre o chão
quando a chuva nodosa e escura
pranteia pelas grutas
a solidão dos frutos macerados
quando a cidade não consegue adormecer
quando a epiderme das algas azuis sofre
sob as rasgaduras do ozônio
quando o amor se faz ausente
e as mãos não conseguem tatear o
corpo amado esvanecido
ocultando-se sob as vestes laceradas
da própria fome

Um comentário:

EDER RIBEIRO disse...

É preciso ter um lugar para quedar as nossas dores. Bjos querida e obg pela visita.