quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

PÁGINAS DA ALDEIA /NA OLARIA AS TRILHAS DO PEABERU

....uma palavra uma vez viva,
uma palavra uma vez imolada,
meu pai, grande caboclo meu pai,
de botas longas, de longos estribilhos,
de carregadas tropas de versos, de minha
mãe, filha de imigrantes, destemida,
de pequeninas mãos em forma de berço...
...na capelinha da estrada abandonada me ajoelho,
escuto a santinha, desfolha-me no sangue o terço...


O CAMINHO MULTIPLICADO


Pedras, árvores, pão de torrentes,
todo reino morto sobrevive
se os candeeiros acenderem-se
sob as lufadas da tua memória.


Na olaria, no fundo da América,
no fundo de mim, no fundo de ti,
o múrmurio do relâmpago,
o trovão do regato,
da luz da pedra, uma chuva
de uma noite em ameríndia
e negra taça da bebida
do mesmo idioma de uma só raça,
na minha pele, na tua pele,
o mesmo corpo rasgado,
pelas trilhas dessa terra,
nossos caminhos multiplicados.

Trilha funda do guerreiro,
do nativo com suas "noites de jacarés",
com oito palmos de largura
e cinco mil quilômetros de extensão
desde o Atlântico até os Andes,
caminho de São Tomé!...

Só a lavra de teus passos
caminheiro,
escreveram e ainda escrevem
pelo chão do verso e do reverso desta terra,
a escrita de água magna,
desses pré-colombianos magmas.

Trilhas do sol de gramináceas sementes,
que glutinosas grudavam
sob os pés dos passantes,
e se multiplicavam com
os passos do caminhante...

Germinou e germina ainda,
o sonho e a lavra dos viajantes,
carrega as quimeras errantes,
lapida os vasos das cozinhas,
reacendem as grimpas
e o carvão anoitecido
da lenha dos fogões,
com suas brasas das funduras das minas,
das sinas, do corpo e da alma, da mente,
rechaça as turbas fechadas
da alcoolica selva da desmemória.

A trilha abriu o corpo nosso,
osso, fosso, continente,
multiplicando pão, peixes,
dores, sementes, muralhas.
Onde ficam os descobridores da América,
se testemunharam as aberturas das trilhas do sol,
o mesmo sangue vegetal dessas auracanas araucárias,
que alimentaram com seus frutos, pelos caminhos,
os nativos
e históricas sentinelas
com suas eriçadas lanças insepultas,
erguem-se guerreiras,
ainda hoje,
pelos mesmos vales e colinas,
desde ontem testemunhas,
multiplicadas?
Sob o anel do tempo,
não dormem as trilhas vivas
da memória,
sempre inacabadas...



FELIZ ANO NOVO!!!
FELIZ TRILHA DO SOL DE 2008!!!

Um comentário:

Helen Dante disse...

Lindo seu blog, eu adorei te visitar e colocarei seu link nos meus favoritos. Receba meu abraço amigo, boa sorte e sucesso pra vc!