quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

HAIKAIS






III

Vestida de tempos
a aranha é fio de rumos
que o prumo tece

vii

Terra queimada
esparge e sopra-te cinzas
São penas das horas


XI

Ave pelo céu
Afundam-se as raízes
dos olhos da árvore


xii

Pergaminho d’ água
chora a metáfora a pauta
da cachoeira


XXXIII
Menino sem ninho
pássaro no buraco negro
busca-o na ave

sábado, 30 de janeiro de 2010

PARAÍSO DO DIABO/NOVELA DO ESCRITOR E POETA ÁRABE YOUSSEF RZOUGA SOBRE AMOR VIRTUAL E VIRTUALIDADE



"PARAÍSO DO DIABO"

novela do escritor e poeta tunisiano YOUSSEF RZOUGA, sobre o tema AMOR VIRTUAL e VIRTUALIDADE.

Tradução do francês por LILIAN REINHARDT






PARAÍSO DO DIABO, ou: O AMOR EM PEQUENAS DOSES, é a mais recente novela do escritor e poeta YOUSSEF RZOUGA, da Tunísia, prêmio nacional de Literatura Árabe de 2004, com mais de vinte e duas obras literárias publicadas, em várias línguas, recentemente laureado por TERRA DA METÁFORA .

Em PARAÍSO DO DIABO, Rzouga aborda o polêmico tema do amor virtual, suas falácias e conflitos, utopias que sustentam hodiernamente a relação de solidão e vazio do homem moderno e sua relação com a virtualidade. O livro é uma denúncia sensível da fragilidade das relações humanas, onde Rzouga trata a questão com impressionante dimensão ética e estética, consentânea à experimentação de sua atualidade. Como diz o crítico James Legatte, Rzouga é voz única no Oriente, espírito visionário. Embora ali residente, transcende sua própria cultura (do mundo árabe), conciliando visões de poesia, literatura, arte, entre Oriente e Ocidente, cognominado de "o lobo das palavras".

A novela PARAÍSO DO DIABO, publicada inicialmente on line, deverá compor uma abrangente publicação em várias línguas.

Lílian Reinhardt
www.lilianreinhardt.prosaeverso.net




http://www.bookrix.com/_title-en-youssef-rzouga-paraiso-do-diabo

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

SE A PALAVRA É ANDANTE...TODO POEMA É PEREGRINO






Claro com certeza
como o sol não vai esquecer de mim ou de ti amanhã
depois da caminhada da noite da alma do poema
e se palavra é esse apascentamento
que delira o rebanho do verbo
e enlaça e laça e tudo desentranha
ávida buscadora é trapezista
que veste e traja a pele do verso/ dos opoentes
e desbrava
deslocando o ôlho do céu nas vias do mundo
a palavra não faz conta
mas quando ajoelha faz de conta e recria os salmos
como os peixes como as pedras...
e se retirante
se andante em mim
em ti
todo poema é peregrino!

domingo, 27 de dezembro de 2009

AMANHECENTE


FELIZ ANO NOVO!
IMENSO ANO DE PAZ DE 2010!

Queria passear de mãos dadas
com a palavra sem conceitos
queria transformar as pedras
em colméias
e gritar a Deus no céu do trovão
que o menino é sempre passarinho
e dá de beber na janela do mundo
a todos os versos
até embriaga-los para
acordar como Manoel de Barros
as cores do amanhecer
acordar as águas das fontes
revigorar os pés cansados dos montes
e calçar-lhes novas sandálias
para não tropeçar n o zênite
levitar sobre a nomenclatura dos vermes
que esgarçam a palavra
no frenesi dos abismos
dizer da alvura das tempestades
além da escuridão
da gravidade da luz
em todas as idades
dar de beber ao cântaro
carregado de ansiedades
que fermenta as leveduras do chão
e sempre sorver de água fresca de verbos
recém –colhidos
queria assim...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ELE É NASCIDO!!!


poema em destaque da semana em:
http://encontrodepoetaseamigos.ning.com/forum/topics/os-melhores-trabalhos-desta-1?xg_source=activity

>Ele é nascido!!!
Ele é nascido todos os dias
apenas um menino pássaro
apenas um menino poesia
e embriaga minha alma...

quando voa pelo céu
quando escreve pelo chão
e sopra os versos na manjedoura do mundo
É Natal no Verbo do coração!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

UM PENTAGRAMA DE NATAL



Pintura em madeira/séc. VI d.c. /retrato de Jesus/o Nazareno/detalhe/ ao lado do Prior do mosteiro Ména/da Abadia de Baouit/ no Moyenne Egypte/Museu do Louvre/Paris/FR

FELIZ NATAL!
PRÓSPERO ANO DE 2010!


Quando o vento sopra as estrelas
sopra os frutos
tudo o que se guarda
se move
pois quem traçou o caminho dos ventos
também deixou seus rastros
escritos na via das estrelas
e um pentagrama de gaivotas...
Assim como é em cima
é embaixo diz a Lei!
Desde a primeira pedra te espero
à beira do rio onde nasce o milho
lá onde se multiplicam as palavras
e os peixes de sangue e jade
e a aurora esparge o pólen
A pedra foi revolvida
Ele é nascido todos os dias...


É NATAL!


terça-feira, 24 de novembro de 2009

DAS PALAVRAS





As palavras não podem mais
se conformar ao lugar onde estão
elas buscam novos circunflexos
que a água da boca saliva o verso
que o mel explode a bomba
e o mar cabe na língua salgada
e a verdade escapa na pipa
dos olhos que o vento flana
enquanto a pedra se faz
tua semente e chama!