quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Travessia



foto/auto-retrato
Lilian Reinhardt


(Líricas de um Evangelho Insano)


Moro no tempo da minha compreensão
atravesso a minha paisagem e quem me vê?
As sombras são transparentes
quando deixam amarras no cais
as minhas árvores dormem no meu porto
sou apenas vulto da minha idéia no mundo
enquanto o espírito gira-me no vácuo
seguirei minhas linhas difusas
sem conhecer das palavras senão ocasos
distâncias entre as árvores
enquanto minhas sombras rasgam as vestes
tudo parece guardar-se ao vôo e à passagem...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

LUA DE PRIMAVERA





(Líricas de um Evangelho Insano)



Caminharei contigo e andarás comigo
pois te colherei a noite as tuas espigas
e ficarei sem dormir como teu girassol
enquanto as ovelhas se recolherem...
e te serei toda realidade e abandono
não diga nada e nem acorde de novo
não peça nada a ninguém
nenhum óbulo ao teu povo
não é preciso deixar a janela aberta
nenhuma filosofia tem certeza alguma...

domingo, 14 de novembro de 2010

HAICAIS







IIIC
Fiação na roca
umbigo cósmico e tear
ponto no espelho


VI/A
É pássaro cansado
no preâmbulo do instante
este caminhante

VII/B
Pão da brevidade
a dor do tempo é fome
à mesa da campa

domingo, 7 de novembro de 2010

Além dos grãos do poema







(Líricas de um Evangelho Insano)
"a vaidade apaga a luz..."

A flor amarga quando a boca
mastiga o poema
mas os grãos da cor tingem
o sol dos dias intensifica
quanto mais cinzas na carne de seus irrevelados tons

Amor não são palavras
escrituras são escrituras
traslados de verbos
amor é ato
silencioso e velado ato


é verso do corpo na alma que sangra
além dos grãos do poema





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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Momento da rosa





(Líricas de um Evangelho Insano)

Cada instante é o momento da rosa/
sem_hora do espinho...

sábado, 30 de outubro de 2010

Lago da alma no corpo/III


ilustração/LReinhardt





(Líricas de um evangelho insano)
O que seria do vazio de uma casa sem memórias? Estico o fio e subo por ele e vou subindo, subindo e amarrando as pontas e retecendo esse arame de contas que vai segurar as gotas no meu varal quando a chuva vier e nele vou me enrolar como um carretel de Ibere (*)quando o tufão aparecer e quando a noite ficar des _semeiada, ficarei ainda assim com ele na escuridão captando reflexos pelas paredes desertas, ouvindo suspiro das minhas sombras regurgitando auroras, então de aranha malsã haverá uma maçã que num repente cairá sobre a cabeça de Newton e desde então meus pés jamais poderão deixar a roca dessa curiosa dança...

(*) Ibere Camargo/19l4/1994/pintor, desenhista, gravurista/mestre/notável expoente da arte brasileira do séc.XX

domingo, 24 de outubro de 2010

Lago da alma no corpo





(Líricas de um Evangelho Insano)

Desde
o princípio ele viaja carregando-me consigo além do tempo com as mil e uma
vozes dos caminhos do lago da minha alma em seu corpo...


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